sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Episódio 05 - A Cena de Los Angeles


Imagine a cena: Altas horas da madrugada um cara de mais de cinquenta anos martela sua máquina de escrever num subúrbio de Los Angeles. Enquanto os cães dos vizinhos late, a máquina não para. O fluxo de palavras segue o jazz que sai do rádio, ele escreve algumas histórias sobre o universo cultural que o cerca e as pessoas que ali habitam. É um retrato seco, voz baixa na calada da noite que avança lentamente para outro dia de incertezas. Este é clima deste conto escrito por Charles Bukowski e que faz parte do livro “Pedaços de um Caderno Manchado de Vinho”.

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Jim Duran
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3 comentários:

  1. Los Angeles é aquele tipo de cidade que aos olhos dos turistas é só beleza e celebridades. Na realidade, o idiota que um dia ousou sonhar em ser lembrado nesse lugar, fazer-se notável ou importante, percebeu que a cidade é um monstro. No encontro entre os românticos e a cidade sobram apenas os restos desses imbecis. Toda a energia da juventude ou a genialidade é perdida. Décadas de fracassados que lotam os bares, bebendo por não terem chegado lá. Resmungam e brigam bêbados e infelizes. Trabalharam muito. As suas melhores ideias foram roubadas ou esquecidas. Entregaram seus melhores anos como uma oferta à Diva e agora não servem mais. Os ídolos que morreram jovens, as donzelas desvirginadas à força, os verdadeiros perdedores. Todos esquecidos. Talvez puderam ter um vislumbre do seu paraíso pessoal, mas foi só por um instante e ele se desfez. Bukowski traduz o sentimento de derrota desses caras.
    Ler o Buk é uma forma de se sentir menos sozinho. Saber que alguém chegou ainda mais baixo que você e então você pode rir de um velho de mais de cinquenta anos quase implorando para que alguém diga seu nome. Um homem desesperado pelo reconhecimento por ter vivido uma vida torta que ele próprio abraçou para que um dia nós o admirássemos pela coragem de ser um vagabundo. E nós o admiramos. Não apenas porque ele reflete em sua escrita deliciosa exatamente a nossa sensação fracasso, como por sua coragem em ser o que é e buscar a si mesmo, cada vez mais fundo. O velho trilhou o próprio caminho, por vezes quase beirando a loucura. Imitá-lo seria uma estupidez. Mas é inegável que ao ler Bukowski você vai se identificar.

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  2. Que episódio phoda! Melhor que qualquer transportador da Federação conseguiria fazer, fui levado para a velha L.A. imediatamente, uma cidade sórdida repleta de personagens não menos.

    A capacidade de Bukowski de transpor os fígados estragados, os amores falsos, as desilusões, as tragédias e os cadáveres funcionais que se arrastavam por esses ambientes. E você deu vida(?) novamente a isso, como se os cenários fossem simplesmente brotando ao meu redor.

    Parabéns por mais este episódio perfeito, meu amigo.

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